Tribos
O ser humano gosta de grupos e precisa de se sentir aceito dentro de algum grupo para seu próprio bem estar social. Esses grupos geralmente são formados por pessoas com experiencias e pensamentos homogêneos entre os integrantes. Assim, ao fazer parte de algum grupo, você automaticamente tem a imagem de ser uma pessoa que pensa como aquele grupo da qual integra. E nem sempre é assim... Eu, particularmente, sempre tive problemas com grupos, panelinhas e etc... Nem sentia que me encaixava. Achava tudo tedioso e bobo, fora a hierarquia velada (uó)... E até cheguei a pensar que talvez meu problema fosse com os seres humanos, de que eu não gostasse da minha própria espécie. Só que não.
Não faz sentido psicologicamente, nem evolutivamente, ser contra a própria espécia, é como ser contra a mim mesma. E nesses casos, faz-se o quê? Mata-se? Não... Não, meu problema não é com os seres humanos em si, mas com a estrutura tribal herdada dos primatas e que até funcionou por um tempo, já somos a espécie dominante no planeta, o problema é que agora essa estrutura de relação mais atrapalha do que ajuda.
Como mencionado, grupos tendem a ter hierarquias e relações sociais baseadas no poder e no medo. E quando o poder e o medo já não nos afetam mais, ou não fazem sentido (meu caso), como podemos suportar essa vida em tribo? Pra mim, até aqui, funciona participar de grupos heterogêneos. De forma geral, para um grupo ser heterogêneo, é essencial que exista liberdade intelectual e uma cultura livre de medos, onde as pessoas possam:
Sentir-se seguras para falar;
Expressar seus pontos de vista alternativos (ou mesmo contrários);
Desafiar o status-quo ou aqueles que, por algum motivo, são vistos como líderes;
Reconhecer seus erros sem temer a punição.
Sim, sem pelo menos essas 4 coisas, não dá... O problema é que isso requer por parte daqueles que se colocam ou são colocados na posição de 'líderes' do grupo, a adoção da vulnerabilidade. E na minha experiência, falar para um 'líder' adotar vulnerabilidade é mais fácil do que ver na prática. Mas a questão é que um grupo, para ir além da "tribo", também tem que ir além do certo ou do errado, integrando ideias opostas, em vez de excluí-las.
A maioria daqueles que tem alguma projeção dentro de um grupo opera a partir de uma posição de superioridade moral - eles geralmente acreditam que suas opiniões são mais importantes do que as dos demais, por motivos diversos que podem ser de maior tempo de experiencia, maior tempo de vida (ser mais velhos), maiores notas (quando se fala de academia) e etc. De toda a forma é bem ridículo essa auto visão de 'superioridade', mas ela acontece. Acontece entre casais também. O pior é que se mantem de uma forma velada... Você e os demais integrantes do grupo sabe que isso existe, mas ninguém fala a respeito. Nessas horas, a melhor prática e tentar trabalhar a humildade intelectual.
Humildade intelectual envolve o reconhecimento de que nossas crenças ou opiniões podem estar incorretas.
Vivendo numa era dividida e vindo de um país que anda sofrendo tanto com as questões maioria x minoria, a impressão que eu tenho é que a raiva e a soberba intelectual une as pessoas. "Aquele que tem o discurso diferente do meu é burro", "aquele que não acredita no que eu acredito tá assediado", "aquele que não acredita no que eu acredito é petista". Todo mundo opta por adota uma mentalidade de ganhar em todos os custos para provar que os outros estão errados - ou que são maus. Enquanto eu (ego) rotulo, julgo e nivelo a todos, até quem eu não conheço... são tempos difíceis.
Mais vale manter a frase de Sócrates sempre a vista: "Só sei que nada sei."
Então, como abraçar a humildade intelectual para tornar a vida em grupo mais sustentável?
-Evite julgar as pessoas: quando rotulamos as pessoas, criamos uma parede ficcional entre "nós" e "eles" - confundimos as ideias com o autor. Todo mundo é um professor disfarçado. Você pode aprender com qualquer pessoa, mesmo com aqueles que têm perspectivas opostas.
-Dê uma chance a pontos de vista opostos: quando você está engajado e ouve “o outro lado”, as conversas se tornam mais construtivas e produtivas. Pratique a adoção temporária de uma crença que parece errada. Veja o mundo através dessa lente por um dia ou dois. Veja o que você pode aprender ao ver a vida pelas lentes do "lado negro da força".
-Não ataque as pessoas porque elas têm pontos de vista diferentes: se todos pensassem o mesmo, o mundo seria chato. A arte é um exemplo perfeito - todos os artistas olham para a mesma realidade, mas todos expressam de forma diferente.
-Evite ser intelectualmente excessivamente confiante (hahaha): Todos nós superestimamos o quanto sabemos.
-Respeite os outros: Trate aqueles que pensam diferentemente com o mesmo respeito que você quer ser tratado por eles. Diferenças devem desencadear conversas, não agressão.
-Separe seu ego de suas visões de mundo: quando nos identificamos com nossas ideias, nos tornamos cegos. Você não é suas idéias. Ponha seu ego de lado - não leve para o lado pessoal se alguém desafia seu pensamento.
-Esteja aberto para rever seus pontos de vista: em uma época em que mudar de ideia é um sinal de fraqueza, as pessoas preferem parecer corretas em vez de tentar entender os fatos como eles realmente são. Idéias nunca são finais; elas estão constantemente evoluindo. E isso é ótimo! Todas as teorias científicas têm sido um trampolim para novas descobertas. Se ficarmos presos em estar certos, não podemos fazer nenhum progresso.
Quando foi a última vez que você mudou de ideia? Como se sentiu?
Não faz sentido psicologicamente, nem evolutivamente, ser contra a própria espécia, é como ser contra a mim mesma. E nesses casos, faz-se o quê? Mata-se? Não... Não, meu problema não é com os seres humanos em si, mas com a estrutura tribal herdada dos primatas e que até funcionou por um tempo, já somos a espécie dominante no planeta, o problema é que agora essa estrutura de relação mais atrapalha do que ajuda.
Como mencionado, grupos tendem a ter hierarquias e relações sociais baseadas no poder e no medo. E quando o poder e o medo já não nos afetam mais, ou não fazem sentido (meu caso), como podemos suportar essa vida em tribo? Pra mim, até aqui, funciona participar de grupos heterogêneos. De forma geral, para um grupo ser heterogêneo, é essencial que exista liberdade intelectual e uma cultura livre de medos, onde as pessoas possam:
Sentir-se seguras para falar;
Expressar seus pontos de vista alternativos (ou mesmo contrários);
Desafiar o status-quo ou aqueles que, por algum motivo, são vistos como líderes;
Reconhecer seus erros sem temer a punição.
Sim, sem pelo menos essas 4 coisas, não dá... O problema é que isso requer por parte daqueles que se colocam ou são colocados na posição de 'líderes' do grupo, a adoção da vulnerabilidade. E na minha experiência, falar para um 'líder' adotar vulnerabilidade é mais fácil do que ver na prática. Mas a questão é que um grupo, para ir além da "tribo", também tem que ir além do certo ou do errado, integrando ideias opostas, em vez de excluí-las.
A maioria daqueles que tem alguma projeção dentro de um grupo opera a partir de uma posição de superioridade moral - eles geralmente acreditam que suas opiniões são mais importantes do que as dos demais, por motivos diversos que podem ser de maior tempo de experiencia, maior tempo de vida (ser mais velhos), maiores notas (quando se fala de academia) e etc. De toda a forma é bem ridículo essa auto visão de 'superioridade', mas ela acontece. Acontece entre casais também. O pior é que se mantem de uma forma velada... Você e os demais integrantes do grupo sabe que isso existe, mas ninguém fala a respeito. Nessas horas, a melhor prática e tentar trabalhar a humildade intelectual.
Humildade intelectual envolve o reconhecimento de que nossas crenças ou opiniões podem estar incorretas.
Vivendo numa era dividida e vindo de um país que anda sofrendo tanto com as questões maioria x minoria, a impressão que eu tenho é que a raiva e a soberba intelectual une as pessoas. "Aquele que tem o discurso diferente do meu é burro", "aquele que não acredita no que eu acredito tá assediado", "aquele que não acredita no que eu acredito é petista". Todo mundo opta por adota uma mentalidade de ganhar em todos os custos para provar que os outros estão errados - ou que são maus. Enquanto eu (ego) rotulo, julgo e nivelo a todos, até quem eu não conheço... são tempos difíceis.
Mais vale manter a frase de Sócrates sempre a vista: "Só sei que nada sei."
Então, como abraçar a humildade intelectual para tornar a vida em grupo mais sustentável?
-Evite julgar as pessoas: quando rotulamos as pessoas, criamos uma parede ficcional entre "nós" e "eles" - confundimos as ideias com o autor. Todo mundo é um professor disfarçado. Você pode aprender com qualquer pessoa, mesmo com aqueles que têm perspectivas opostas.
-Dê uma chance a pontos de vista opostos: quando você está engajado e ouve “o outro lado”, as conversas se tornam mais construtivas e produtivas. Pratique a adoção temporária de uma crença que parece errada. Veja o mundo através dessa lente por um dia ou dois. Veja o que você pode aprender ao ver a vida pelas lentes do "lado negro da força".
-Não ataque as pessoas porque elas têm pontos de vista diferentes: se todos pensassem o mesmo, o mundo seria chato. A arte é um exemplo perfeito - todos os artistas olham para a mesma realidade, mas todos expressam de forma diferente.
-Evite ser intelectualmente excessivamente confiante (hahaha): Todos nós superestimamos o quanto sabemos.
-Respeite os outros: Trate aqueles que pensam diferentemente com o mesmo respeito que você quer ser tratado por eles. Diferenças devem desencadear conversas, não agressão.
-Separe seu ego de suas visões de mundo: quando nos identificamos com nossas ideias, nos tornamos cegos. Você não é suas idéias. Ponha seu ego de lado - não leve para o lado pessoal se alguém desafia seu pensamento.
-Esteja aberto para rever seus pontos de vista: em uma época em que mudar de ideia é um sinal de fraqueza, as pessoas preferem parecer corretas em vez de tentar entender os fatos como eles realmente são. Idéias nunca são finais; elas estão constantemente evoluindo. E isso é ótimo! Todas as teorias científicas têm sido um trampolim para novas descobertas. Se ficarmos presos em estar certos, não podemos fazer nenhum progresso.
Quando foi a última vez que você mudou de ideia? Como se sentiu?
Comentários
Postar um comentário