Minha Primeira Experiência de Intercâmbio: Da Realidade Simples ao Sonho na Finlândia
Cinco horas e meia de voo separam Portugal de Helsinque. A viagem foi dura – e não estou falando só do tempo sentada na poltrona do avião. Para piorar, não tinha onde carregar o celular durante o voo, e eu sabia que ia precisar chamar um Uber quando chegasse. Ou seja, nada de assistir séries ou ficar jogando offline para passar o tempo! Para economizar bateria, passei o voo lendo algumas coisas e, claro, ensaiando mentalmente conversas em inglês, porque essa é a primeira vez que vou viver sozinha por tanto tempo em outro país... e 100% em inglês! Dá um friozinho na barriga, viu? Ainda mais pra mim que sou insegura.
Venho de uma realidade simples e humilde. Quando eu era mais nova, fazer intercâmbio parecia coisa de outro mundo — algo reservado para quem tinha muito dinheiro. Eu fui a primeira pessoa da família por parte de pai e uma das primeiras por parte de mãe a conquistar um diploma universitário. Meus pais vieram do campo: meu pai, mesmo sem saber ler, sempre deu seu jeito — pega ônibus, mexe no celular, se vira como poucos! Minha mãe sabe ler e escrever, mas nunca foi muito fã da tecnologia. Desde cedo, eu acreditava que estudar poderia mudar a minha vida. E segui firme nisso: formei-me em Zootecnia na UFES, campus Alegre, fiz uma segunda faculdade, e depois fiz o mestrado em Portugal... e agora estou no doutorado em Coimbra, o meu maior orgulho acadêmico até aqui!
Nunca, nem nos meus melhores sonhos, imaginei que aos 38 anos eu conseguiria fazer um intercâmbio. E o melhor: sem precisar pagar por ele! Hahahaha! A empresa cobriu os custos (obrigada, chefe, Deus te abençoe! 🙏). Só espero que o pagamento que eles esperam de volta não seja a minha alma! 😂😂
Estou aqui no contexto de um projeto no qual minha empresa participa e é tudo muito experimental, sabe? Eu sou a primeira funcionária que eles enviam em intercâmbio... Então, ninguém sabe muito bem como se portar direito. Não tenho grandes instruções e nem guidelines para seguir, a única coisa que eu sei é que quero publicações! E quando digo publicações, estou falando de artigos científicos!
Como eu disse, estou aqui devido a um projeto que envolve entre outros, a empresa onde eu trabalho e a Universidade de Jyväskylä. E deixa eu te contar: essa universidade tem um dos melhores centros de pesquisa em otimização DO MUNDO! Imagina o meu stress... Eu apenas quero estar à altura!
Cheguei na quinta-feira à noite em Helsinque. Depois, peguei o trem até Jyväskylä — uma viagem super agradável e tranquila. Demora cerca de três horas, mas eu estava tão fascinada pela paisagem e tão ansiosa, que nem senti o tempo passar. Detalhe, eu vi nevar no caminho e isso não é comum para mim, porque onde eu moro em Portugal não neva. Fiquei toda contente vendo a neve do trem.
Quando cheguei aqui, deixei as malas na república onde vou ficar. E sim, voltei a morar em república depois de 15 anos de formada! Um beijo especial para os moradores das repúblicas da Universidade Federal do Espírito Santo, campus Alegre! Hahahahaha saudades de ser jovem... Aqui vou dividir casa com mais duas meninas, conheci uma delas, e a outra está de férias de Páscoa e deve voltar amanhã (domingo, 27/04 — e, aliás, aniversário do meu pai!).
Depois de deixar minhas coisas, fui encontrar o professor Michael Emmerick. Ele só tinha disponibilidade na sexta ao meio-dia, então não dava para ficar muito no quarto, né? A conversa com o professor foi muito amigável, ele foi super gentil e já me deu orientações de como devo proceder na próxima semana. E já adianto: vou ter MUITO trabalho! Mas estou animada e espero que tudo dê certo! Na quarta-feira, já começo com uma apresentação rápida do meu objeto de estudo!
Minhas primeiras impressões da Finlândia foram bem interessantes. As pessoas são caladas, fechadas, mas muito simpáticas quando a gente pede ajuda. Eles realmente se esforçam para se comunicar bem com quem está "de passagem" — e eu me sinto exatamente assim: não posso dizer que sou turista, mas também não vou viver aqui, afinal, 30 dias passam voando.
O frio aqui é real. Bem mais intenso do que em Portugal! Hoje, por exemplo, fez 3°C, mas com um sol super bonito lá fora. O problema do frio, para mim, é a pele: eu já tenho a pele seca, e aqui fico com a pele vermelha direto, mesmo usando os melhores produtos que trouxe.
Ah, e já passei uns perrengues básicos! Já fui ao mercado duas vezes tentar comprar papel higiênico e nas duas vezes trouxe... rolo de papel de cozinha! Agora tenho 10 rolos de papel absorvente e 0 rolos de papel higiênico. 😂 Tudo isso por pura falta de atenção e, claro, porque o finlandês é praticamente impossível de entender para quem nunca teve contato. A boa notícia é que, até agora, todos com quem conversei sabiam falar inglês.
Falando em supermercados... foi onde vivi a experiência mais estressante até o momento. Aqui, todos os mercados têm um estilo muito parecido com o Lidl: não existe empacotador, a caixa não te ajuda, e não é responsabilidade do supermercado esperar você embalar suas compras. Ou seja, é cada um por si! A caixa passa as compras na velocidade da luz e você que lute para embalar tudo rápido, porque tem mais gente atrás de você esperando. Quando for ao mercado aqui, recomendo: faça um alongamento antes e prepare-se para a ginástica!
E por falar em ginástica uma coisa que também me chamou muita atenção é como eles valorizam o movimento e a saúde. Em toda esquina tem uma academia pública, daquelas de rua. É impressionante ver tanta gente correndo, andando de bicicleta, treinando, mesmo no frio! Aliás o frio para eles é um detalhe, não os incomoda em nada. Além disso, descobri que os finlandeses são conhecidos por serem grandes esportistas — e não apenas no futebol como no Brasil ou em Portugal, mas em várias modalidades. É cultural para eles, e acho que nós temos muito a aprender com isso!
Fora o estresse do supermercado, estou adorando a experiência! A paisagem é linda, as pessoas são prestativas e gentis e estou sentindo aquele mix de animada, nervosa e grata, feliz porém ansiosa... Claro, estou com muitas saudades do meu Flokito e do meu Eduardo (companheiro e parceiro evolutivo)... Mas estou muito feliz de estar aqui. Vamos ver como serão as próximas semanas e como será minha impressão depois dos 30 dias! Será que vai continuar igual? Depois eu volto aqui e te conto.
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