Extinção
Quem diria, né? Que há 5 anos atrás eu estava fazendo prova de tiro e teste de sobrevivência no curso de formação para agente de escolta penitenciária.
Fiz cursinho, prestei o concurso e passei, simples assim.
Naquela época eu achava que ser funcionária do estado era melhor do que ser funcionários de empresa privada. Depois eu percebi que era tudo a mesma coisa. De toda a forma você é só uma engrenagem usada para impulsionar algo/alguém.
Se você for usado corretamente como engrenagem, o seu trabalho pode ser usado para impulsionar um empresário, uma empresa, um governador, um secretário do estado... E eu olhava para aquilo tudo e só pensava: foda-se... Só quero um salário e uma vida digna. O problema é que o trabalho e a dignidade estão altamente entrelaçados.
Passei por algumas penitenciarias, fiz algumas revistas, presenciei algumas cenas que não gostei. Nunca vou me esquecer do cheiro da cadeia, e também, nunca vou me esquecer da degradação do ser humano na prisão. Ali, deixamos de ser iguais. Na prisão é sempre bandido vs. pessoas de bem... Credo...
Era bem o estilo da letra dos racionais: "Passa fome, metido a Charles Bronson"...
Mas sabe, os 'passa fome' fazem as coisas querendo acertar. Querendo servir bem o seu estado, enfim... Tá tudo mundo na sua guerra particular, e é uma guerra caótica onde está todo mundo contra todos...
Me vejo nessa foto com uma carabina nas costas e não me reconheço. Nessa fase eu não exitaria em usar a carabina se o 'dever' chamasse... Ainda bem que meu tempo nessa fase foi curto.
As vezes até dói..
Mas a vida é isso, sabe? Viver dói. Conviver com nossas escolhas dói. E o pior é que somos responsáveis pelas nossas dores. E não adianta achar que é melhor do que o outro só porque carrega uma arma na cintura, ou um cargo publico, ou uma carrada de artigo cientifico publicado em não sei onde... Não... Nada disso importa, tá ligado?! Porque quando a gente morrer, vamos tudo para o mesmo lugar. E o destino da humanidade nesse mundo é a extinção e o esquecimento.


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