Transcendência = Transciencia
Muita vezes, nos acostumamos tanto com as palavras e relativizamos tanto seus sinônimos, que esquecemos o seu real significado. E com isso muitas vezes percebemos que as pessoas se perdem nas distorções dos significados e acabam empregando mal sua argumentação em momentos de discussões filosóficas.
Isso acontece em todas as áreas do conhecimento, mas agora em especifico, sinto mais ao estudar e debater ideias relativas a real essência da vida (ou da morte, se preferir).
Quando chego nesses momentos eu primeiro deixo claro que é necessário ter a noção de que uma coisa é fato e que outra coisa é teoria. E costumo exemplificar com a evolução dos seres. Isso é um fato, a gravidade é uma fato. Já teoria é a seleção natural, ou seja, como o fato pode ser explicado. Eu conheço duas teorias que explicam o fato gravidade: a lei da gravidade (ou a lei da gravitação universal) e a teoria da relatividade (que explica como o gravidade pode fazer a luz curvar).
A teoria de Newton entra em crise – porque não explica alguns fenômenos como a velocidade da luz etc – e então ela passa a ser questionada, daí aparece a teoria de Einstein e enquanto os cientistas não se decidem qual das duas teorias está correta ou “mais” correta, vocês acham que os objetos deixaram de cair? Você acha que existiu alguma crise por conta disso? Que a gravidade – que ambas teorias tentavam explicar – deixou de existir enquanto os teóricos não conseguiam explicar? Meio óbvio né. Isso porque esse fenômeno que damos o nome de Gravidade é um fato.
Mas atenção, não confunda gravidade com a lei da gravidade! Se uma pessoa disser pra você que não acredita na lei da gravidade, antes de tirar sarro da pessoa, pergunte a ela em qual teoria ela acredita. Principalmente se você não conhece a pessoa. Pode ser que aquele ser humano seja um físico teórico. E você perca a oportunidade de aprender. Ou não, pode ser só mais um louco....
Enfim...
O mesmo acontece com a evolução das espécies. Não importa qual teoria tente explicá-la. A evolução é um fato, não uma teoria.
Porém, isso fica um pouco mais complicado quando o problema, ou assunto em questão, não tem uma resposta... E precisamos respondê-la, necessitamos que seja respondida. assim, constitui-se um problema científico-filosófico.
A ciência, sabemos, funciona de acordo com o positivismo lógico (ou empiriocriticismo, ou neopositivismo) que foi formulado pelo grupo conhecido como Círculo de Viena. Por mais que os pressupostos dessa corrente de pensamento estejam superados por outras correntes mais atuais (como a ciência pós-materialista), a ciência ainda funciona à maneira do positivismo lógico.
Wittgenstein disse:
“o mundo é a totalidade dos fatos, não das coisas.
o que é fato é a existência de estados de coisas.
daquilo que não se pode falar, deve-se calar.”
Isso implica que só podemos falar de coisas que existam. Porém para assuntos metafísico, se eu uso uma palavra (que é um signo) a qual nada que exista no mundo corresponda à essa palavra, então essa palavra não possui sentido... Não possui significado.
A ciência trabalha com enunciados a respeito do mundo real, dos fatos. Esses enunciados são corpos teóricos, encadeados logicamente, que possuem uma estrutura axiológica muito bem definida. E se o corpo teórico não der conta de explicar os fatos? Mudamos os fatos, pra manter o corpo teórico intacto, ou mudamos o corpo teórico pra elucidar o que é fato?
Só pra não deixar dúvida, vou responder: Mudamos o corpo teórico se ele não dá conta de explicar um fato.
O problema aparece quando se trabalha com 'teorias do sistema de crença', as pessoas não estão dispostas a abandonar o corpo teórico que não explica o fato. E então começam as autocorrupções: ou as desculpas esfarrapadas para continuar acreditando em uma teoria ruim ou fraca para continuar na zona de conforto e não precisar de assumir que aquela teoria é ruim e precisa de ser reformulada.
Se a pessoa está empenhada em construir a sua própria teoria de vida, existem alguns conceitos que podem ajudar. No geral, as pessoas desconhecem o significado de Problema, Hipótese, Tese e Teoria.
Vou dar um exemplo: temos um problema - qual é a nossa origem?
Temos um fato: existem diversos tipos de seres vivos em nosso planeta.
Ainda não começamos a pesquisa, então temos uma(s) Hipótese(s): o homem veio da argila divina, obra-prima de deus.
A hipótese é aquilo que está hipo (acima) da tese, é algo que está meio vago, meio sobrevoando.. saca?
Fizemos o estudo e temos uma Tese: algumas espécies são muito parecidas entre si. Isso porque todas as evidências apontam que as espécies são parentes umas das outras, atestamos isso como um FATO porque esse fenômeno ocorre diante de nossos olhos. Em todos os fósseis, olhamos e encontramos evidências que nos apontam ao mesmo lugar: somos parentes, temos ancestrais, pois somos muito parecidos, principalmente enquanto fetos.
Isso, meus amigos, é um FATO. Ou seja, isso se dá, é constatado o fenômeno de que as espécies são descendentes umas das outras. FATO.
Agora mais um: temos mais um problema - A morte é o fim da vida?
Temos um fato: Tudo que está vivo na Terra morre. Algumas espécies podem demorar, mas todas morrem.
Criamos a partir disso as hipóteses: Não existe vida após a morte e existe vida após a morte.
Fazem estudos quanto a isso há anos, diversas culturas, em momentos diferentes da historia. Chegaram a alguma conclusão? NÃO! Existe tese elucidando isso? Não! Então, conclui-se que a vida após a morte NÃO É UM FATO!
Onde entra a teoria nessa bagunça toda? Elementar, meus caros.
A teoria ou corpo teórico, é a EXPLICAÇÃO de um FATO. A teoria, enquanto corpo teórico dotado de sentido, coesão e coerência interna, consegue nos explicar, elucidar, desmitificar aquilo que nos aparece enquanto fato.
Posso chamar o que nos aparece enquanto fato de “mundo empírico” mas apenas depois de explicarmos os fatos com uma teoria coesa e coerente é que esse fato deixa de ser meramente “empírico” e passa a ser “concreto”. Ou seja, o mundo empírico, que é o mundo do fato, é um mundo problemático, caótico, desarticulado e que está desprovido de sentido e significado.
Com um corpo teórico, conseguimos explicar o que são os fatos e, assim, o mundo volta a ter sentido e significado e agora ele já não é meramente empírico e desconhecido, mas concreto (real) e dotado de significado.
Essas explicações dão sentido ao mundo caótico e por isso, quando a ciência avança e as teorias se mostram erradas, fracas ou ineficazes, as pessoas continuam a acreditar... O ser humano dá a teoria um valor sentimental, por haver dado sentido em um mundo caótico. E por isso, se manter firme na ciência é difícil... Complexo. Pesado. É mais fácil viajar na maionese do que aceitar que algumas teorias não explicam o mundo. Ou pior... Quando criar teorias pseudo-cientificas e coloca-las como verdade universal.
Estudar os enigmas da vida sem se corromper não é fácil. Assumir que o que faz sentido agora, pode não fazer daqui há 2 anos é difícil. Assumir que a probabilidade de não haver vida após a morte é maior do que a de haver, e ainda assim querer entender esse processo natural, pode ser terrível. A ciência da transcendência é para os fortes.
Wittgenstein disse:
“o mundo é a totalidade dos fatos, não das coisas.
o que é fato é a existência de estados de coisas.
daquilo que não se pode falar, deve-se calar.”
Isso implica que só podemos falar de coisas que existam. Porém para assuntos metafísico, se eu uso uma palavra (que é um signo) a qual nada que exista no mundo corresponda à essa palavra, então essa palavra não possui sentido... Não possui significado.
A ciência trabalha com enunciados a respeito do mundo real, dos fatos. Esses enunciados são corpos teóricos, encadeados logicamente, que possuem uma estrutura axiológica muito bem definida. E se o corpo teórico não der conta de explicar os fatos? Mudamos os fatos, pra manter o corpo teórico intacto, ou mudamos o corpo teórico pra elucidar o que é fato?
Só pra não deixar dúvida, vou responder: Mudamos o corpo teórico se ele não dá conta de explicar um fato.
O problema aparece quando se trabalha com 'teorias do sistema de crença', as pessoas não estão dispostas a abandonar o corpo teórico que não explica o fato. E então começam as autocorrupções: ou as desculpas esfarrapadas para continuar acreditando em uma teoria ruim ou fraca para continuar na zona de conforto e não precisar de assumir que aquela teoria é ruim e precisa de ser reformulada.
Se a pessoa está empenhada em construir a sua própria teoria de vida, existem alguns conceitos que podem ajudar. No geral, as pessoas desconhecem o significado de Problema, Hipótese, Tese e Teoria.
Vou dar um exemplo: temos um problema - qual é a nossa origem?
Temos um fato: existem diversos tipos de seres vivos em nosso planeta.
Ainda não começamos a pesquisa, então temos uma(s) Hipótese(s): o homem veio da argila divina, obra-prima de deus.
A hipótese é aquilo que está hipo (acima) da tese, é algo que está meio vago, meio sobrevoando.. saca?
Fizemos o estudo e temos uma Tese: algumas espécies são muito parecidas entre si. Isso porque todas as evidências apontam que as espécies são parentes umas das outras, atestamos isso como um FATO porque esse fenômeno ocorre diante de nossos olhos. Em todos os fósseis, olhamos e encontramos evidências que nos apontam ao mesmo lugar: somos parentes, temos ancestrais, pois somos muito parecidos, principalmente enquanto fetos.
Isso, meus amigos, é um FATO. Ou seja, isso se dá, é constatado o fenômeno de que as espécies são descendentes umas das outras. FATO.
Agora mais um: temos mais um problema - A morte é o fim da vida?
Temos um fato: Tudo que está vivo na Terra morre. Algumas espécies podem demorar, mas todas morrem.
Criamos a partir disso as hipóteses: Não existe vida após a morte e existe vida após a morte.
Fazem estudos quanto a isso há anos, diversas culturas, em momentos diferentes da historia. Chegaram a alguma conclusão? NÃO! Existe tese elucidando isso? Não! Então, conclui-se que a vida após a morte NÃO É UM FATO!
Onde entra a teoria nessa bagunça toda? Elementar, meus caros.
A teoria ou corpo teórico, é a EXPLICAÇÃO de um FATO. A teoria, enquanto corpo teórico dotado de sentido, coesão e coerência interna, consegue nos explicar, elucidar, desmitificar aquilo que nos aparece enquanto fato.
Posso chamar o que nos aparece enquanto fato de “mundo empírico” mas apenas depois de explicarmos os fatos com uma teoria coesa e coerente é que esse fato deixa de ser meramente “empírico” e passa a ser “concreto”. Ou seja, o mundo empírico, que é o mundo do fato, é um mundo problemático, caótico, desarticulado e que está desprovido de sentido e significado.
Com um corpo teórico, conseguimos explicar o que são os fatos e, assim, o mundo volta a ter sentido e significado e agora ele já não é meramente empírico e desconhecido, mas concreto (real) e dotado de significado.
Essas explicações dão sentido ao mundo caótico e por isso, quando a ciência avança e as teorias se mostram erradas, fracas ou ineficazes, as pessoas continuam a acreditar... O ser humano dá a teoria um valor sentimental, por haver dado sentido em um mundo caótico. E por isso, se manter firme na ciência é difícil... Complexo. Pesado. É mais fácil viajar na maionese do que aceitar que algumas teorias não explicam o mundo. Ou pior... Quando criar teorias pseudo-cientificas e coloca-las como verdade universal.
Estudar os enigmas da vida sem se corromper não é fácil. Assumir que o que faz sentido agora, pode não fazer daqui há 2 anos é difícil. Assumir que a probabilidade de não haver vida após a morte é maior do que a de haver, e ainda assim querer entender esse processo natural, pode ser terrível. A ciência da transcendência é para os fortes.
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