MEMENTO MORI

Minha tatuagem favorita é essa frase em latim que significa algo como "Lembre-se da morte", "lembre-se que você é mortal" ou "lembre-se que você vai morrer"...
Quando tatuei gostava de ler um pouco de filosofia e tinha ~ ainda tenho ~ um impulso grande de viver. Quando digo impulso digo uma necessidade de me jogar em qualquer coisa que esteja fazendo, uma necessidade de sentir a intensidade, uma fome, sei lá... Tem uma música do Belchior chamada coração selvagem, que em minha opinião, descreve um pouco esse sentimento, recomendo a escuta.
Na verdade quando estava fazendo a análise de meus sentimentos, percebi que até com relação ao meu sentimento com a vida havia uma grande inconsistência.
Imagine você, tatuar-se pra lembrar que vai morrer, sendo que tenho o ímpeto e vontade de viver - tipo oi? Rsrsrs. Agora não me lembro se eu tinha alguma necessidade de me podar pelo medo ou se era uma percepção real da fluidez da vida. E é bizarro pois essa tatuagem tem 6 anos... Não faz tanto tempo. Mas tanta coisa já mudou. Hoje particularmente, não vejo tanta beleza no ato de se tatuar em si, visto que considero esse corpo apenas uma capa e não quem eu realmente sou. Não sei se adianta mudar a capa do livro e manter o conteúdo, entende?!... Mas digo isso tendo as costas e uma perna quase fechadas rsrsrs. Pra evitar entrar em mais uma inconsistência prefiro dizer que considero tatuagem uma arte passageira -assim como tudo na vida- e que tem o seu valor individual e seus profissionais merecem ser respeitados.
Voltando ao assunto, hoje em meu ponto de vista enxergo a morte como um fenômeno natural da vida... Olhe só que contradição! Elas nunca acabam Rsrs... Quanto mais penso, mais chego em contradições e inconsistências...
Acho que cheguei num ponto em que não preciso de lembrar da morte, pq pra mim vai ser algo tão natural quanto respirar. Sem misticismo. Apenas mais um momento, que quando chegar até mim, pretendo viver com toda a intensidade possível para minha satisfação pessoal. Colocando o máximo de energia no presente, não importando o estado (intrafísico/vivo ou extrafísico/morto no corpo físico)... Não há necessidade de tatuar isso.
Mas uma explanação interessante é a de Sêneca que dizia: "muitos homens se apegam e agarraram-se à vida, assim como aqueles que são levados por uma correnteza e se apegam e agarram-se a pedras afiadas. A maioria dos homens minguam e fluem em miséria entre o medo da morte e as dificuldades da vida; eles não estão dispostos a viver, e ainda não sabem como morrer."
Acho que ele quer dizer nessa passagem, sobre pessoas que se agarram tanto a vida que sobrevivem e não vivem plenamente. E estando dentro de um sistema tão engessado como o nosso: trabalhar, comer, pagar, receber... Fica difícil lembrar de viver o tempo todo.
O budismo e a meditação estão me ajudando muito com isso. Mas se eu fosse do tipo que ainda faz tatuagens rsrsrs, faria a frase memento vivere que diz "aproveite o momento, lembre-se de viver"... Coisas que são realmente difíceis de fazer, difíceis de lembrar e válidos  de seguir colocando toda a intensidade possível.

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