A importância de não ser
Tem gente que vive preocupado em existir, ter uma identidade, fazer algo que marque o mundo.
Mas a questão é: por mais que se canse, e por mais que se faça, nós nunca chegamos a existir de verdade.
O que existe, no final das contas, é o ego.
Uma percepção de existência, o "eu" criado pela mente no mundo manifesto, mas essa criação é apenas uma percepção de existência, entende?
Você, para mim, não é o que pensa que é. Logo nem chega a ser.
Soa estranho?
Mas para mim, mais estranho é isso: a pessoa fica uma vida em busca de tentar saber quem é, tentar construir algo, ou deixar uma marca no mundo. Mas na verdade, nós nem chegamos a ser. Apenas pensamos que somos, através de uma manifestação do ego.
E aqueles que conseguiram deixar alguma marca no mundo, dependeram de uma série de causalidades, às vezes, uma aleatoriedade que foi decisiva na potência da repercussão da ação.
Claro, teve muito trabalho envolvido, mas quem não deixa marca também trabalha muito. Para se manter nessa sociedade capitalista. Aí surge a reflexão, mas nem sempre, quem deixa a marca no mundo, pensou em deixar marca no mundo!
Apenas aconteceu.
Por exemplo, Nietzsche (o filósofo querido moderno) morreu na miséria. O mesmo aconteceu com Van Gogh.
Às vezes parece que as pessoas que buscam por algum autoconhecimento, estão muito preocupadas com o macro.
Os problemas do mundo. Ou pelo menos vendem isso...
E tem dificuldade em assumir a sua insignificância.
Outra vez, uma alusão ao ego. Será que o autoconhecimento infla ele?
De uns tempos para cá, comecei a observar o meu ego, e as coisas que o agradam.
Claro que gosto de pensar que "O trabalho que exerço faz diferença e que minhas ações podem refletir num mundo melhor.". Claro que os jargões dos Coaching me seduz: "Querer, fazer poder".
Mas viver feliz a minha insignificância, também me traz um significado.
Apenas ter as experiências sem exibicionismo.
Sentir as coisas, sentir as pessoas, a natureza, mas sobretudo saber sentir a minha essência.
Descobrir ou redescobrir as paixões, os sonhos de infância, e encontrar as respostas daquilo que tanto me perturbou, mas que não faz sentido nenhum para o resto do mundo.
Depois que deixei essa obsessão de grandeza de lado, que convenhamos- as grandes redes sociais insistem em alimentar com fotos em viagens megalomaníacas e festas soberbas. Depois que convenci a mim mesma que não há problema nenhum em ser insignificante. Passei a me sentir mais leve. Mais despreocupada. Quem sabe até mais feliz.
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