Finlândia: Considerações Finais

O tempo passa num piscar de olhos e, quando percebi, já estou na minha última semana por aqui! Este mês foi super intenso e cheio de aprendizados. Assisti a vários seminários interessantíssimos e pude conhecer soluções para problemas que eu enfrentava na área de otimização.

Como mencionei antes, vim pra cá no contexto de um projeto que une minha área de pesquisa em otimização ao trabalho do grupo da Universidade de Jyväskylä — que, como já mencionei em outro post, é um dos melhores do mundo nesse tema. E sim, foram muitos artigos... e confesso: teve artigo que eu li e não entendi nada! Mas não me dei por vencida. Coloquei esses textos numa pasta especial pra reler depois, porque me recuso a não entender algo que leio. Eu tenho brio! Quero ler e entender do que se trata, nem que seja na marra.

Tive uma ideia de trabalho em conjunto e espero que isso vire um artigo em breve. Mas esse texto aqui não é pra falar sobre meu projeto. Até porque, sejamos honestos, isso ainda não é tema de escrutínio público (pelo menos eu acho... por enquanto, não).

Este post é pra contar um pouco sobre o que gostei e o que não gostei, da minha experiência na Finlândia.

Vou começar pelo que não gostei, porque é mais fácil. Na real, só consegui pensar em uma coisa, mas é uma que impacta muita coisa: tudo é CARO! Misericórdia! Não é que não tenha carne aqui, mas a carne é cara. Itens básicos como papel higiênico e material de limpeza? Também caros. Mas claro, isso tudo é caro na minha realidade, né? Porque, pelo que vi, o salário médio aqui gira em torno de 3.800 euros. Isso já está acima do orçamento que eu tinha disponível pra passar o mês por aqui. (Teoricamente, eu até poderia ter pedido mais apoio, mas não quis... escolhas pessoais, né?). 

Exemplo de coisas caras: uma garrafa de água 2 euros. Café? O mais barato que encontrei foi 2.9 e não era expresso... O expresso era mais caro. Quer comer um chocolatinho? O mais barato foi 2 euros também. O restaurante mais barato era 8.90 no almoço e não servia janta. Obviamente que eu comprei meus alimentos no supermercado e comi em casa, pois era o mais barato. 

Enfim, ponto negativo anotado: o preço elevado das coisas.

Agora sim, vamos ao Top 5 coisas que eu mais gostei por aqui!

5 – As pessoas: 

Lembrando que essa é a minha experiência como mulher branca — é claro que estereótipos e preconceitos também podem existir por aqui. Mas comigo, sempre que precisei de ajuda, fui muito bem tratada. As pessoas não sabiam minha nacionalidade e, honestamente, nem pareciam se importar! Isso é uma diferença enorme em relação a Portugal, onde sabem de onde eu venho pelo meu "bom dia" e, a partir daí, já me julgam. Aqui não… sabiam que eu era estrangeira (óbvio), mas isso não importava. Sempre me ajudaram e me trataram com respeito.

Você pode pensar: “Mas isso é o básico da educação, Ana...” E eu te digo: da Alemanha pra oeste (França, Itália, Península Ibérica), o básico está sendo engolido por um discurso estúpido, demagógico e ufanista. As pessoas estão se sentindo cada vez mais confortáveis em expressar seus preconceitos. Algo bem parecido com o que vimos no Brasil há alguns anos.
Então, ver um país de primeiro mundo, com pessoas de cabeça de primeiro mundo, é reconfortante.
Só coloquei isso em quinto lugar porque aprendi a me blindar. Faço de tudo pra não precisar da ajuda de ninguém e não deixo o preconceito alheio me afetar. Mas confesso: o tratamento que recebi aqui baixou a minha guarda. :)

4 – Natureza e ecopista: 

No Brasil, não temos muito esse conceito de ecopista. Resumidamente, são trilhas em ambientes naturais que podemos percorrer a pé, de bicicleta ou com qualquer outro meio não motorizado. Aqui, a floresta tem um papel muito importante na cultura e nas pesquisas — inclusive dentro da própria equipe de otimização! Existem dois investigadores focados em monitoramento florestal e prevenção de incêndios. Achei isso incrível.

Sou uma pessoa ansiosa, e caminhar numa trilha segura, em meio à floresta, ouvindo os pássaros e o barulhinho da água batendo nas pedras... foi terapêutico. Um verdadeiro bálsamo.

3 – Atividade física:

Já tinha comentado que aqui existe um hábito forte de fazer atividade física. Em todo canto tem um parque equipado pra exercícios ao ar livre — mesmo com aquele frio do cão! Eu amo caminhar e fazer trilhas, e ver outras pessoas se exercitando me deu motivação extra pra manter o foco. Quase todos os dias fui caminhar e estou me sentindo muito bem! Espero continuar assim.

2 – Estruturas públicas climatizadas

Acho que já mencionei que é possível fazer tudo a pé aqui, e eu realmente fiz! Claro que, no auge do inverno, as temperaturas extremas devem dificultar um pouco... Mas como vim na primavera, minha locomoção foi 100% a pé. E reparei em algo sensacional: algumas passarelas que cruzam rodovias são totalmente fechadas com vidros duplos — climatizadas!

Também vi banheiros públicos fechados, climatizados e limpos. Um deles, em Helsinque, me deixou chocada — primeiro porque foi a primeira capital europeia onde vi um banheiro público de verdade (e olha que já passei por Lisboa, Paris, Madrid, Berlim...), segundo porque estava impecável!

E sim, eu sei que a carga tributária aqui é altíssima. Mas a diferença é que os retornos são visíveis. Além dos banheiros, vi vários parques infantis, tanto em Helsinque quanto em Jyväskylä. Pra quem tem filhos, isso aqui é o paraíso.

A biblioteca nacional também merece destaque: linda, climatizada, com entrada gratuita.

Enfim, o turista sofre um pouco porque tudo é caro? Sofre. Mas vê coisas bonitas, bem cuidadas, funcionais — e ainda consegue se aquecer.

1 – A água

Em primeiríssimo lugar: a água!

Foi o primeiro lugar da Europa onde encontrei uma água tão boa quanto (ou até melhor que) a do Brasil. pH perfeito, sem calcário. Meu cabelo nunca esteve tão brilhante, minha pele nunca esteve tão viçosa.

Só quem vive em lugar com água calcária entende o perrengue. A gente sabe que nosso cabelo é mais bonito do que aquilo que o espelho mostra... mas a água não colabora.

Aqui, a água é melhor do que no Brasil porque posso beber direto da torneira sem preocupação. E, infelizmente, no Brasil isso não é uma realidade — temos que filtrar tudo.

Então, sim, a água ficou em primeiro lugar: 

  • Porque sem água a gente não vive;
  • Porque não precisei comprar — alívio no orçamento;
  • Porque meu cabelo e minha pele agradeceram profundamente.

Menção honrosa:

O iogurte daqui! Eu não sei o que eles fazem, mas o iogurte e o queijo são uma delícia. Sério mesmo.

E é isso... Pode ser que eu volte mais pro fim do ano. Mas, pra isso acontecer, tem que ser por um motivo justificado.

Se tudo der certo, pode ser que role um Finlândia – Parte 2 🙏🙏.

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