Uma Jornada de Transformação e Decisões: Porque viver é mudar, e ser feliz é um projeto para a vida toda.

Após um longo período sem atualizações, percebo que a Ana que iniciou este blog é muito diferente da Ana que agora vos escreve. Nestes nove anos, muita coisa mudou: adaptei-me ao português de Portugal, iniciei um doutoramento na Universidade de Coimbra — um desafio constante — e, claro, a idade e as experiências moldaram novas versões de mim mesma.

Falar sobre autoconhecimento é falar sobre mudanças. E mudanças são inevitáveis. Amigos, familiares, o ambiente ao nosso redor — tudo se transforma, mesmo sem sairmos do lugar. A COVID-19, por exemplo, mudou o mundo para sempre. Viver essa consciência da impermanência exige coragem.

Nesse período, eu casei, mudei de país, me tornei mais consciente de quem sou, divorciei, mudei de casa, enfrentei uma pandemia. E, depois de atravessar uma depressão, aprendi a olhar para dentro. Passei a prestar atenção aos meus sentimentos, emoções e frustrações. Quando toquei o fundo do poço, compreendi que meu bem-estar depende de uma mente limpa, alimentada com coisas boas e bons amigos. Escolhi preservar o que há de melhor em mim, mesmo diante do ódio, da miséria e da solidão que o mundo insiste em mostrar.

As mudanças continuam — e são cada vez mais rápidas. A revolução trazida pela inteligência artificial já molda o mercado de trabalho, os salários e a maneira como vivemos. E vai continuar. Não há como resistir: precisamos aprender a nos adaptar. E nisso, reconheço, sou boa — adapto-me sem perder a essência. Darwin teria orgulho!

Com a aceleração provocada pela IA, principalmente para quem trabalha com tecnologia, aprendi a pisar no freio para evitar o burnout. Desacelerar tornou-se uma escolha consciente. E, entre tantas transformações, uma das minhas maiores conquistas foi entender que não me encaixo em rótulos. Muitos ainda tentam rotular: seja pelo temperamento, traços de caráter ou perfil profissional. Mas essas classificações já não me cabem mais.

Claro que certas classificações ainda me afetam, especialmente aquelas motivadas pela xenofobia. Estando na Europa, e com a ascensão da extrema-direita, a xenofobia tornou-se algo comum. Contudo, aprendi a manter minha integridade e a me proteger, com muita terapia e a compreensão de que nem todos os europeus são assim.

Escolhi ser feliz. Escolhi construir a minha vida com trabalho, amor e dedicação. Se a felicidade dos outros te incomoda, talvez seja um bom momento para refletir sobre o que ainda precisa ser curado dentro de si.

A Ana de nove anos atrás jamais imaginaria ter percorrido tanto — e não falo apenas de distâncias, mas também de desafios. Mas é exatamente isso que me move: acreditar que a vida é um desafio que nos exige coragem e construção diária. E viver uma vida feliz é, na verdade, um exercício muito mais complexo do que parece.

Não se trata de acreditar que a felicidade é um estado fixo, alcançado com um passe de mágica ou meditação. Tampouco penso que seja algo utópico e inalcançável. Uso a palavra felicidade para descrever a plenitude — um estado de satisfação com quem eu sou hoje.

É tentar ser mais calma num mundo cada vez mais confuso.
É ser gentil, mesmo quando o primeiro instinto seria pedir para me deixarem em paz.
É ter passado uma pandemia longe dos meus pais, morrendo de medo, mas confiando na vida.
É encontrar forças para levantar sozinha e traçar minha própria rota e destino.

É reconhecer o valor dos meus pais — que me deram liberdade e me prepararam para o mundo.
Mesmo do outro lado do Atlântico, eles continuam sendo parte essencial de quem eu sou.
Quero ser a minha melhor versão, por mim e por eles.
Acredito que quando vivo feliz, as pessoas que amo também sentem essa felicidade. E isso me dá uma energia que nenhuma dificuldade é capaz de apagar.

É sobre ter coragem para enfrentar a vida, e ternura para lidar com as pessoas.
É sobre entender que a mensagem é simples, mas a prática é cheia de desafios.
É sobre aceitar que haverá dias em que o meu melhor não será suficiente para alguém — e tudo bem.

A Ana de nove anos atrás queria ser perfeita.
A Ana de hoje só quer ser feliz. E fazer feliz quem ama.

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