Resumo por Katia Garcia

Resumo da historia da economia brasileira de 2015 até aqui:
Texto por Katia Garcia
Levantamento histórico por Ana Paula Januário

Em 2014, numa reunião com empresários durante a campanha eleitoral, Aécio Neves recebeu uma queixa que determinaria o futuro do Brasil dali por diante, com ou sem a vitória dele: A MÃO DE OBRA ESTÁ CARA DEMAIS.
A demanda era clara: os empresários estavam se colocando abertamente contra a política de valorização do salário mínimo posta em prática por Dilma e Lula. A elite brasileira não aceitava essa situação e queria reverter o projeto de redução da desigualdade de renda do governo PT.
Infelizmente, para os empresários e a elite, Aécio perdeu e foi necessário por em prática o plano B: tornar o Brasil ingovernável, a fim de produzir uma recessão capaz de acabar com o pleno emprego conquistado no final do primeiro mandato de Dilma (pra quem não lembra em 2014 o desemprego era de 4.8%: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2015/01/brasil-encerra-2014-com-menor-taxa-de-desemprego-ja-registrada.html).


O empresariado paulista começou um movimento coordenado de redução da produção e demissão em massa, associado a um terrorismo econômico veiculado diariamente pelos grandes jornais, que apontava recessão técnica e assustava os investidores (fonte: https://exame.abril.com.br/negocios/2015-o-ano-de-demissoes-historias-nas-grandes-empresas/). O capital foi parando de circular.
Porém, micro e pequenas empresas ainda eram um problema, pois os trabalhadores demitidos acabavam usando suas garantias trabalhistas e o acesso ao crédito para abrir pequenos negócios, gerando novos empregos e absorvendo a mão de obra que as grandes empresas demitiam.(http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/0472e551bdb300d9b10cd68db392cf41/$File/7583.pdfAtenção especial ao gráfico 1 da pagina 5) .


Era necessário tirar a Dilma, acabar com os direitos trabalhistas e limitar o acesso ao crédito, para conseguir afundar a política de valorização dos salários. Para isso, usaram o Congresso para atrasar os pagamentos do governo, criando uma bola de neve. O atraso nos pagamentos prejudicou serviços importantes como o PAC, o que cria impacto direto sobre a produção, especialmente com o término das obras da Copa, que contribuíam significativamente para o crescimento do PIB até 2014 e para os financiamentos do FIES, Ciências sem Fronteira e Minha Casa, Minha Vida. O atraso forçou o governo a lançar mão de manobras fiscais (pedaladas) para manter os serviços públicos funcionando.

Os atrasos no pagamento destes últimos foram usados amplamente pela mídia para reduzir o apoio popular à presidente, de onde nasceu aquele "apoio com ressalvas" que minou muito a governabilidade. O PAC, por outro lado, derrubava o PIB, alimentando a ideia de recessão. Essa ambiente de incerteza e insatisfação foi essencial para pressionar o governo, além de aprovar uma Lei de Diretriz Orçamentária (LDO) às pressas e sem vetos.

Esse conjunto de fatores era mais do que suficiente para dar início ao impeachment e travar a governabilidade do país. O Congresso começou uma intensa campanha. Com os 200 deputados do Cunha, pautas bombas e arquivamento de votações importantes para o povo, a popularidade de Dilma despencou (https://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/4647545/cunha-prepara-pauta-bomba-207-bilhoes-como-vinganca-governo, e também: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150318_dilma_aprovacao_reprovacao_cc).

O país ficou parado por 2 anos, até que ela finalmente caiu e Temer pôde finalmente dar início à agenda tucana de redução do custo do trabalho.Grandes empresas passaram a demitir funcionários contratados e substituí-los por terceirizados. O pânico e a insegurança começaram a se espalhar pela classe trabalhadora. Então veio o segundo tiro: o mesmo grupo empresarial promovia troca de empregados entre suas empresas.
Como é proibido diminuir salários e para não perder seu capital intelectual, a empresa X demitia seus funcionários e a empresa Y os contratava com salários menores, sendo ambas propriedade do mesmo grupo empresarial. A ameaça da terceirização tornava isso melhor que o desemprego.Logo em seguida, Temer mudou as regras de acesso ao crédito e acabou com o estímulo aos micro e pequenos empreendedores. Uma vez demitido, o trabalhador já não conseguia abrir ou manter um negócio próprio, o que fez o desemprego disparar no final do seu governo (https://www.brasildefato.com.br/2018/06/18/cortes-de-949-em-programas-sociais-feitos-por-temer-abreviam-futuro-dos-brasileiros/).


Faltavam agora os direitos trabalhistas. Muitos desses direitos foram dilacerados pelo Congresso. A PEC dos gastos congelou os salários e a inflação corroeu o poder de compra dos brasileiros. Em 2 anos, Temer destruiu 20 anos de avanços sociais e trabalhistas.
Falta agora um último ponto de segurança do trabalhador: a previdência. Uma vez destruída a previdência social, os trabalhadores estarão completamente desamparados e junto com eles, também as estatais estarão desprotegidas e prontas para serem privatizadas.

Os fundos de pensão são os principais acionistas das estatais brasileiras. E os pensionistas dessas estatais são o maior entrave para a venda dessas empresas. O capital estrangeiro quer adquirir a infraestrutura das estatais, sem ter que arcar com seus funcionários e aposentados.

Durante o governo FHC, o Brasil só conseguiu privatizar as empresas estatais porque o governo assumiu todos os gastos com pessoal dessas empresas. Foi por isso que, mesmo depois de vendê-las, o Estado continuava devendo a quem as tinha comprado. A privatização não deu lucro.É necessário retirar o poder de negociação dos fundos de pensão, esvaziando a previdência e acabar com a estabilidade do funcionalismo público, antes de começar a nova onda de privatizações. Só assim a venda das estatais vai ter uma aparência de lucro, mas só aparência.

Com o desmantelamento dos direitos, a terceirização e a reforma da previdência, o trabalhador ficará entregue a uma nova forma de escravidão, semelhante ao que acontece hoje nos EUA. Os salários reduzidos e o custo de vida aumentado vão gerar um déficit na renda das famílias( http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-45222010000300004&script=sci_abstract&tlng=pt  ).

Empresas de crédito abutres irão suprir o déficit da renda com empréstimos que nunca poderão ser completamente quitados, de forma que, ao final de poucos anos, boa parte dos trabalhadores estará endividada e se submetendo a qualquer trabalho, vendendo o almoço pra comprar a janta.E assim estará resolvido aquele problema apresentado ao Aécio em 2014. O brasileiro terá sido completamente subjugado e o capital estrangeiro estará nadando de braçada nas nossas riquezas, sem que os sindicatos, também esvaziados, tenham força para resistir.

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